quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Transtornos de Ansiedade

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Ansiedade

Os transtornos de ansiedade incluem transtornos que podem causar medo ou ansiedade em excesso, o medo é uma resposta à um estímulo imediato e perceptível, a ansiedade é a antecipação da ameaça futura. O transtorno de ansiedade pode ser causado por coisas pequenas que para a pessoa com o transtorno, são aumentadas drasticamente e acabam gerando uma resposta negativa por parte da mesma. Embora os transtornos de ansiedade tendam a ser muito comórbidos entre si, eles podem ser detalhados de acordo com os tipos de reações à situações específicas.

Os indivíduos com ansiedade geralmente superestimam o perigo das situações que temem ou evitam. Os transtornos de ansiedade costumam se desenvolver a partir da infância e podem persistir se não forem tratados, e há maior frequência do transtorno em pessoas do sexo feminino do que do masculino.

Transtorno da ansiedade da Separação:


• Medo e ansiedade exagerados em relação ao momento de separação com um indivíduo que tem apego. Evidenciado por três ou mais desses exemplos:

• Sofrimento recorrente e excessivo em relação à separação de figuras importantes de apego, ou de casa.

• Constante e excessiva preocupação em relação à perda de uma figura de apego.

• Preocupação com o potencial de se separar de uma figura de apego em um evento indesejado.

• Relutância ou recusa em sair de casa para qualquer lugar.

• Temor ou relutância em ficar sozinho em ambientes sem as figuras de apego.

• Apreensão em dormir longe de casa ou dormir sem estar com uma figura de apego.

• Pesadelos repetidos envolvendo o tema separação.

• Contínuas queixas de sintomas somáticos quando a separação de figuras de apego ocorre ou é prevista.

• A ansiedade é persistente, dura pelo menos quatro semanas em crianças e adolescentes e geralmente seis meses ou mais em adultos.

• A perturbação pode causar sérios problemas no funcionamento social e em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

• A perturbação não é mais bem explicada por outro transtorno mental.


Risco de Suicídio:

Em crianças, o transtorno de ansiedade relacionado à separação pode estar associado a risco aumentado de suicídio. Em uma parte da comunidade, a presença de transtornos de ansiedade, de humor ou uso de substâncias pode acabar levando à idealização de suicídio ou à tentativa do mesmo. Porém essa associação não é algo definitivo para transtorno de ansiedade de separação, podendo também ser encontrado em outros transtornos de ansiedade.


Diagnóstico Diferencial:


Transtorno de Ansiedade Generalizada: A definição de ansiedade generalizada está ligada a ansiedade em relação a outras coisas que não necessariamente sobre separação de figuras importantes.


Transtorno de pânico: Ameaças de separação podem levar a extrema ansiedade e até mesmo a um ataque de pânico. No caso, ele estaria ligado a ansiedade de separação, não seria um ataque de pânico inesperado.


Transtorno de Ansiedade Social: A recusa de ir a escola pode ser causada pela ansiedade social (fobia social). Nesse caso pode ser pelo medo de ser julgado negativamente pelos outros, e não pela ansiedade de separação.


Transtorno de estresse pós-traumático: O medo de separação das pessoas amadas é comum depois de eventos traumáticos, principalmente quando houve algum caso de separação durante esse evento. No transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), os principais sintomas são relacionados a intrusão e a esquiva de lembranças associadas ao evento traumático, já no transtorno de ansiedade de separação, as preocupações e a esquiva estão relacionadas ao bem-estar das figuras de apego e à separação delas.


Transtornos psicóticos: Diferente das alucinações nos transtornos psicológicos, as experiências perceptuais incomuns que podem ocorrer no transtorno de ansiedade de separação estão em geral baseadas em uma percepção equivocada de um estímulo real, acontecendo em apenas em certas situações, sendo revertidas pela presença de uma figura de apego.


Transtornos de personalidade: O transtorno de personalidade é caracterizado por por uma tendência enorme a depender de outra pessoa, enquanto o transtorno de ansiedade de separação envolve preocupação em relação à proximidade e à segurança das principais figuras de apego. O transtorno da personalidade borderline é caracterizado pelo medo do abandono pelas pessoas amadas, mas os problemas na identidade, no autodirecionamento no funcionamento interpessoal e na inpulsividade são também principais a esse transtorno enquanto não são principais para o transtorno de ansiedade de separação.


Critérios diagnósticos:

• Fracasso persistente para falar em certas situações sociais nas quais existe essa expectativa.

• A perturbação interfere na realização educacional ou profissional ou na comunicação social.

• A duração mínima da perturbação é de um mês.

• O fracasso para falar não é relacionado a um desconhecimento ou desconforto com o idioma exigido pela situação social.

• A perturbação não é melhor explicada por um transtorno de comunicação nem ocorre exclusivamente durante o curso de transtorno do espectro autista, esquizofrenia ou outro transtorno psicótico.

Ansiedade Social


Transtorno de Ansiedade social ( Fobia Social): A ansiedade social e a esquiva no transtorno de ansiedade social podem estar associados ao mutismo seletivo. Nesse caso, dois diagnósticos deven ser estabelecidos.


Critérios diagnósticos:

• Medo ou ansiedade acentuados relacionados à um objeto ou situação.

• O objeto ou situação fóbica quase invariavelmente provoca uma resposta imediata de medo ou ansiedade.

• O objeto ou situação fóbica é ativamente evitado ou suportado com intensa ansiedade ou sofrimento.

• O medo ou ansiedade é desproporcional em relação ao perigo real imposto pelo objeto ou situação específica e ao contexto sociocultural.

• O medo, ansiedade ou esquiva é persistente, geralmente com duração mínima de seis meses.

• Também causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

A perturbação não é mais bem explicada pelos sintomas de outro transtorno mental, incluindo medo, ansiedade e esquiva de situações associadas a sintomas do tipo pânico ou outros sintomas incapacitantes (como na agorafobia); objetos ou situações relacionados a obsessões (como no transtorno obsessivo-compulsivo); evocação de eventos traumáticos (como no transtorno de estresse pós-traumático), separação de casa ou de figuras de apego ( transtorno de ansiedade de separação); ou situações sociais (como no transtorno de ansiedade social).


Características Diagnósticas

As categorias das situações ou objetos temidos são apresentadas como especificadores. Muitos indivíduos temem objetos ou situações de mais de uma categoria, ou estímulo fóbico.

O indivíduo ativamente evita a situação, ou, se não consegue ou decide não evitá-la, a situação ou objeto evoca medo ou ansiedade intensos (terceiro critério). Esquiva ativa significa que o indivíduo intencionalmente se comporta de formas destinadas a prevenir ou minimizar o contato com objetos ou situações fóbicas.


Diagnóstico Diferencial

Agorafobia: A fobia especial situacional pode parecer com a agorafobia na sua apresentação clínica, dada a sobreposição nas situações temidas. Se o indivíduo teme apenas uma das situações da agorafobia, então pode-se diagnosticar uma fobia específica e/ou situacional. Caso ele tema duas ou mais, um diagnóstico de agorafobia pode ser justificado. Por exemplo, se um indivíduo tem fobia de aviões e elevadores, mas não de outras formas de situações agorafóbicas, ele pode ser diagnosticado com uma fobia específica, situacional, enquanto o indivíduo que tem medo de aviões, elevadores e multidões seria diagnosticado com agorafobia. O segundo critério da agorafobia também pode ser útil na diferenciação entre agorafobia e fobia específica. Se as situações são temidas por outras razões, como o medo de ser ferido diretamente pelo objeto ou situação, um diagnóstico de fobia pode ser mais adequado.

Diagnóstico diferencial:

Os sintomas do transtorno da comunicação social se sobrepõem aos do transtorno de ansiedade social. A característica que os distingue é o momento de início dos sintomas. No transtorno de comunicação social, o indivíduo nunca teve uma comunicação social efetiva; no transtyorno de ansiedade social, as habilidades de comunicação social desenvolveram-se de forma correta, mas não são utilizadas devido a ansiedade, medo ou sofrimento acerca de interações sociais.


No transtorno de ansiedade social, o indivíduo é temeroso, ansioso ou evita situações e interações sociais que se envolvem a possibilidade de ser avaliado. Incluindo situações com encontrar-se com pessoas que não são familiares, situações em que o indivíduo pode ser observado comendo ou bebendo e situações de desempenho diante de outras pessoas. A lógica por trás desse pensamento seria a de ser avaliado negativamente pelos demais, ficar embaraçado, ser humilhado ou rejeitado ou ofender os outros.


Critérios Diagnósticos:

• Medo ou ansiedade acentuados relacionados à uma pessoa ou mais situações sociais em que o indivíduo é exposto a possível avaliação por outras pessoas, como por exemplo em várias situações sociais.

Nota: Em crianças, a ansiedade deve ocorrer em contextos que envolvem seus pares, e não apenas em interações com adultos.

• O Indivíduo teme agir de forma a demonstrar sintomas de ansiedade que serão avaliados negativamente.

• As situações sociais quase sempre provocam medo ou ansiedade.

Nota: Em crianças, o medo ou ansiedade pode ser expresso chorando, com ataques de raiva, imobilidade, comportamento de agarrar-se, encolhendo-se ou falhando em falar em situações sociais.

• As situações sociais são suportadas ou evitadas com intenso medo ou ansiedade.

• O medo/ ansiedade é desproporcional à ameaça real apresentada pela situação social e o contexto sociocultural.

• O medo, ansiedade ou esquiva é persistente, geralmente durando pelo menos seis meses.

Esses sintomas também causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

Eles também não são consequência dos efeitos fisiológicos de uma substância ou de outra condição médica.

Também não são mais bem explicados pelos sintomas de outro transtorno mental, como transtorno de pânico, transtorno dismórfico corporal ou transtorno do espectro autista.

Se outra condição médica está presente, o medo, ansiedade ou esquiva é claramente não relacionado ou é excessivo.


Transtorno de pânico: Os indivíduos com transtorno de ansiedade social podem ter ataques de pânico, porém a preocupação está relacionada ao medo de avaliação negativa, enquanto no transtorno de pânico a preocupação se relaciona aos próprios ataques de pânico.


Transtorno de Ansiedade Generalizada: (TAG)


Preocupações sociais são comuns no transtorno de ansiedade generalizada, mas o foco é mais na natureza das relações existentes do que no medo de avaliação negativa. Os indivíduos com transtorno de ansiedade generalizada, especialmente crianças, podem ter preocupações excessivas sobre a qualidade do seu desempenho social, mas essas preocupações também são pertinentes ao desempenho não social e a quando o indivíduo não está sendo avaliado pelos outros. No transtorno de ansiedade social, as preocupações focam no desempenho social e na avaliação dos demais.

Transtorno depressivo maior: Os indivíduos com transtorno depressivo maior podem se preocupar em serem avaliados negativamente pelos outros porque acham que são maus ou não são merecedores de que gostem deles. Por outro lado, aqueles com transtorno de ansiedade social se preocupam em serem avaliados negativamente por conta de certos comportamentos sociais ou sintomas físicos.


Transtorno dismórfico corporal: Os indivíduos com transtorno dismórfico corporal preocupam-se com a percepção de um ou mais defeitos ou falhas em sua aparência física que não são observáveis ou parecem leves para os outros; essa preocupação frequentemente causa ansiedade social e esquiva. Se seus medos e a esquiva social são causados apenas por suas crenças sobre sua aparência, um diagnóstico separado de transtorno de ansiedade social não se justifica.


Transtorno delirante: Os indivíduos com transtorno delirante podem ter delírios e/ ou alucinações não bizarros relacionados ao tema delirante que foca em ser rejeitado pelos outros ou ofendê-los. Embora a extensão do insight das crenças relacionadas a situações sociais possa variar, muitos indivíduos com transtorno de ansiedade social têm um bom insight de que suas crenças são desproporcionais à ameaça real apresentada pela situação social.


Transtorno do espectro autista: Ansiedade social e déficits na comunicação social são características do transtorno do espectro autista. Os indivíduos com transtorno de ansiedade social geralmente têm relações sociais adequadas à idade e a capacidade de comunicação, embora possam parecer ter prejuízo nessas áreas quando inicialmente interagem com pessoas ou adultos estranhos.


Transtornos de personalidade: Dado seu frequente início na infância e sua persistência durante a idade adulta, o transtorno de ansiedade social pode se parecer com um transtorno da personalidade. A sobreposição mais evidente é com o transtorno da personalidade evitativa. Os indivíduos com esse transtorno têm um padrão mais amplo de esquiva do que aqueles com transtorno de ansiedade social. No entanto, o transtorno de ansiedade social é geralmente mais comórbido com o transtorno da personalidade evitativa do que com outros transtornos da personalidade, e o transtorno da personalidade evitativa é mais comórbido com o transtorno de ansiedade social do que com outros transtornos de ansiedade.

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